segunda-feira, março 19, 2012

um Eu insignificante num Tu poderoso

Há coisa de um mês e meio atrás, fui reflectir ao "meu" cantinho especial.
Ia a caminho de casa tranquila, como é de costume depois de sair de lá. Estava bem comigo mesma, harmonizada e renovada por assim dizer. Saio da Jubilee Line e vou a caminho da Central Line (a linha vermelha).
Quando vou a descer as escadas, vejo um Senhor ao fundo, sentado no chão.
Conforme o vi, de relance, o meu coração bateu como nunca até então.

Passei por Ele como se nada fosse, para ir para a minha plataforma. Como se Ele não estivesse ali.
Fui o resto do caminho a tremer e revoltada com a minha atitude altiva e desprezante.
Nunca até então me lembro de ter "ignorado" e menosprezado tão friamente um Ser, como foi naquele dia.
Foi como se Ele não estivesse ali. Como se não houvesse uma gota de humanismo ou empatia em mim.
Odeie-me e revoltei-me com a minha falta de sensibilidade.

Mês e meio depois, novamente a descer as mesmas escadas para entrar na plataforma da Linha Vermelha em (007) Bond Street, vejo outra vez aquele Senhor.
Com o corpo a estremecer, desço o último degrau e procuro a carteira.
Enquanto a procuro, noto que Ele fala baixinho, talvez para não incomodar as pessoas que por ali passam "sem fazer caso".
Tiro as moedas que tenho, aproximo-me e baixo-me, à procura do sítio para as colocar sem nunca o "reparar".
Vejo que o sítio para pô-las é um bolso de um casaco, que Ele usa para esconder as mãos que são inexistentes, deixando só à vista o pulso.
Desta vez, noto que a situação ainda é mais grave do que aquela que pensei. Desta vez encaro aqueles olhos lacrimejantes, vermelhos e sem pálpebras que tentam sorrir; tratando-se dos olhos mais tristes que alguma vez vi.

Tentando não demonstrar tristeza ou pena, sorrio-lhe, desejando-Lhe também a Ele um "good evening". E desta vez, o coração não me dói de revolta, mas sim de solidariedade e compaixão.
Não consigo sequer imaginar como será o seu dia a dia. Não consigo conceber a dor - as dores - que aquele Homem passa diariamente. Não consigo pensar ou calcular a coragem que será, e certamente é, preciso.

Nunca ninguém me impressionou tanto, é verdade. E eu que achava que já nada me surpreendia.
Da próxima vez, pode ser que a minha atitude seja diferente. Ideias  não me faltam.

domingo, março 18, 2012

Abordagens

Estava eu a fumar um cigarro, sentada na entrada do meu prémio, e um senhor aborda-me da seguinte forma:

 Sr - Are you all right Miss?
 - Acenei afirmativamente - 
Sr - Are you homeless?

Há ironias do caraças. 
Sem dúvida, 
Nada acontece por acaso.

domingo, março 11, 2012

What am I bound to be feeling?

" MARGARET

What? What am I ‘bound to be feeling’?
People don’t ‘think’ any more. They ‘feel’. ‘How are you feeling?’ ‘Oh I don’t feel comfortable with that’ ‘Oh, I’m so sorry but we, the group were feeling...’
D’you know, one of the great problems of our age is that we are governed by people who care more about feelings than thoughts and ideas. Now thoughts and ideas. That interests me.
Ask me what I am thinking- 


DOCTOR
What are you thinking, Margaret?


- MARGARET looks at the DOCTOR, quietly struggling with a fury, threatening to unleash-

MARGARET
Watch your thoughts, for they become words. Watch your words, for they become actions. Watch your actions, for they become habits. Watch your habits, for they become your character. And watch your character, for it becomes your destiny.
What we think, we become. My father always said that. 
And I think I am fine. "


Margaret Thatcher in The Iron Lady